Sorria você está na Bahia

Chegar no estado da Bahia foi um conquista para nós, agora sim estamos longe de casa. Mais longe do que até nós mesmos imaginamos chegar.

De Abrolhos partimos para Porto Seguro encontrar um grande amigo e curtir a recepção 5 estrelas de sua família. A navegada foi tranquila, porém a entrada na Barra de Porto Seguro foi um pouco mais tensa, o canal é bem estreito, raso e irregular, mas seguimos direitinho as indicações que recebemos de outros velejadores e o trajeto que desenhamos e chegamos sem problemas.

Depois de alguns dias deliciosos em Porto Seguro, fomos por terra até Caraíva, onde passamos duas noites. Que lugarzinho encantador! Parece uma mistura de Guarda do Embaú com Ilha do Mel mas com o clima da Bahia. As ruas são de areia, não existem carros e não vimos nenhum veículo a motor. Para chegar na vila é preciso pegar um barquinho para atravessar o rio que separa Caraíva, e na praia da para escolher ser quer tomar banho de mar ou no canal do rio, e por que não nos dois? Fizemos a trilha pela beira da praia até a Praia do Espelho, super recomendamos, uma caminhada fantástica.

De volta a Porto Seguro curtimos um pouco mais da companhia de nossos amigos e das mordomias de terra firme. De lá partimos para Ilhéus onde chegamos cansados e encharcados. Lá encontramos uma flotilha de veleiros que também estava de passagem e fizemos mais amizades. Encontramos também amigos que nos recepcionaram incrivelmente. E para completar toda essa galera ainda recebemos a visita do Mali, que veio do Sul passar uns dias conosco. No dia seguinte a frente fria chegou com tudo, muita chuva e 35 nós de vento. Aguardamos a melhora do tempo e seguimos para Itacaré.

Já tínhamos estudado a entrada da barra de Itacaré e planejado nossa entrada. Estávamos apreensivos pois o canal para entrar na barra não é muito visível e as ondas quebram bem ao lado, além de ser um pouco raso, qualquer passo em falso uma onda poderia quebrar no barco ou encalharmos. Felizmente o capitão Diego com a ajuda da tripulação entrou na barra sem maiores dificuldades, já ancorados no rio de Itacaré, todos respiraram aliviados. Nesse trecho a tripulação estava reforçada, Bob, Luara e Maurício.

Chegamos em Itacaré e não sabíamos o que esperar,  acabamos nos surpreendendo com o astral do lugar. O balneário é bem animado, com lojinhas, bares, e tem um estilo bem praiano, reggae tocando por todo lado. A praia da Tiririca é demais, rola surf todos os dias, tem pista de skate, slackline, tudo de bom. As outras prainhas ao redor também são uma delícia. Acabamos ficando duas semanas vivendo o clima da cidade. Nesse meio tempo fizemos uma visita a comunidade de Piracanga, uma ecovila muito tranquila, onde encontramos uma amiga moradora.

De Itacaré seguimos para a Baía de Camamu, um lugar calmo, com prainhas bem remotas, parece até um pouco parado no tempo. Navegamos junto com nossos amigos do veleiro Leva Vento por vários dias, parando de enseada em enseada em direção ao fundo da baía. Fomos até a Cachoeira de Tremembé, uma loucura, paramos com o Unforgettable quase embaixo da queda d’agua e nos refrescamos na água doce da cachoeira.

Seguimos viagem para Morro de São Paulo, outro lugar lindo do litoral da Baía. As prais em Morro são lindas, na maré baixa formam-se diversas piscinas naturais com água quentinha. A vila cheia de atrações, adoramos.

Última parada, Salvador, Baía de Todos os Santos.

“Finalmente alcançamos a tão esperada Salvador. Para nós tem um grande significado chegar até aqui. São mais de 1500 milhas navegadas, não sabíamos se chegaríamos até aqui quando deixamos Floripa a um ano atrás.

Mas… como não poderia ser tão tranquilo, depois de quase um ano pegamos nosso pior tempo no mar, que também não foi tão ruim assim. Quando saímos de Morro de São Paulo, sabíamos que o tempo não facilitaria muito, previsão de 3 m de ondulação, chuva e vento forte. Como o trecho era curto, resolvemos arriscar, lá íamos nós, molhacera novamente, ficar seco para quê?!?! Hehehe! O dia estava cinza, ao sairmos do canal de morro já sentimos a ondulação crescer, abrimos velas, a mestra rizada e lá fomos nós. Na metade do caminho fomos alcançados por um pirajá (fortes ventos com precipitação que se formam e duram pouco tempo)  que fez o barco adernar como não tínhamos visto ainda, ventos de 35 nós nos alcançavam. Diego segurando firme na roda de leme controlou o Unforgettable, fechamos a genoa e esperamos a porrada passar. Mais alguns pirajás e a coisa acalmou. Abrimos a genoa novamente e seguimos assim, ensopados, até Salvador. Na entrada da Baía de Todos os Santos ficamos um pouco apreensivos com o nevoeiro que dificultava a visibilidade, e por ser um local com entrada de navios, tínhamos que ficar atentos.

Chegamos no Terminal Náutico da Baía, estávamos fundeados em frente ao Eleveador Lacerda no centro histórico de Salvador. Coisa boa atracar em um trapiche depois de tanto tempo e aproveitar as mordomias de um terminal/marina, a mais apreciada: chuveiro quente. Depois de alguns dias curtindo a cidade de Salvador, seguimos para outro clube, o Clube Aratu também na Baía de Todos os Santos onde o Unfo ficará descansando enquanto retornamos ao sul para resolvermos algumas coisas.  Até logo Unfo!“

Diário de Bordo Unforgettable,  30 de Agosto de 2016.

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