Ilhabela, a capital da Vela

Depois de percorrer o litoral de Santa Catarina e Paraná, agora era hora de explorar o litoral de São Paulo, pouco conhecido por nós. Cananéia – Ilhabela seria o maior trecho percorrido por nós até agora, e a primeira noite completa navegando.

“Era chegado o dia, 110 milhas nos separavam do próximo porto. A idéia era zarpar de Cananéia e ancorar em Ilhabela, tendo Santos como plano B.

A terça-feira amanheceu com forte chuva em Cananéia o que colocou em cheque nossos planos por um momento. Ao passar da manhã o tempo foi secando e então decidimos pela partida. Seria nosso maior trecho até agora. Abastecemos o barco e nos despedimos do pessoal. A previsão para o mar era boa, ondas pequenas e vento sul fraco, o que se confirmou. Mas antes era preciso varar a barra de Cananéia, uma enorme zona de arrebentação e ondas quebrando para todo lado, exceto pelo canal estreito, única passagem. Depois de saculejar para lá e para cá, varamos a barra e  com a Ilha do Bom Abrigo ao nosso través aproamos rumo a Ilhabela, ajustamos as velas e seguimos.

As primeira horas trancorreram com um velejo em bom ritmo, ao cair da noite a chuva apertou, raios clareavam o horizonte e o vento cessou. Passamos a motorear, por volta das 23hrs, enquanto preparávamos uma pizza e o Jarbas levava o barco o giro do motor começou a oscilar e por vezes desligava.  Sem vento, velejar não seria uma opção. Reabastecemos o tanque, o que fez com que a falha parasse por algum tempo. Provavelmente era alguma sujeira no combustível ou no filtro de combustível. Nesse momento, abatidos pelo cansaço e chuva, e preocupados com o motor já havíamos optado por Santos como destino final.

Em certo momento, motivados por uma brisa que surgiu, abrimos as velas e demos inicio a mais gostosa velejada da viagem. A chuva acalmou e uma linda lua cheia iluminava a noite para nós. O dia raiava e a paisagem de Santos e cercanias aos poucos se descortinavam. Ao entrar na baía de Santos um inevitável relaxamento tomou conta de nós, bem como uma sensação de dever cumprido, depois de 24hrs finalmente tiramos alguns pequenos cochilos porque os olhos não paravam mais abertos.

Fomos acolhidos no Clube de Regatas Internacional, onde estamos colocando o barco em ordem e decidindo os próximos passos”.

Diário de Bordo Unforgettable, 26 de Novembro de 2015.

A cidade de Santos nos surpreendeu e acabamos ficando uma semana por lá. Fizemos novas amizades muito especiais que viríamos a encontrar novamente mais para frente em nossa viagem. Aproveitamos a estadia no clube para pintar o convés, tarefa pendente desde nossa partida de Floripa, e ainda conseguimos dar uma escapada e visitar o irmão do Diego e família em São Paulo. Foi nossa primeira noite em terra desde que partimos, a tão sonhada cama acabou resultando em uma noite mau dormida, já estávamos acostumados ao balanço e parecia que mesmo em terra a cama se mexia. Pobre dos nossos labirintos, perdidinhos a esse ponto.

Depois de curtir Santos era hora de partir para a tão esperada Ilhabela, onde encontraríamos nossa querida amiga Lu e curtiríamos alguns dias nesse lugar tão lindo. A navegada de Santos a Ilhabela foi muito agradável, cerca de 11hrs de viagem, dia ensolarado, mar tranquilo mas pouco vento, pouco até demais.  Saímos de Santos pela manhã e ao final do dia estávamos adentrando o canal de Ilhabela.

“Por volta das 19:30 aproximava-nos da vila de Ilhabela, foram cerca de 11 horas navegadas a partir de Santos e a luz do dia já se extinguia. Apesar de algumas indicações de amigos, não tínhamos ainda atracadouro definido.

Decidimos ir até as imediações do Pindá Iate Clube onde estão concentrados a maioria dos veleiros da ilha. Ao montar a ponta do campo de aviação já estava escuro mas ao avistarmos uma enorme quantidade de veleiros nos sentimos aliviados. Georgia ia na proa com o facho de luz ligado, e avistou uma poita, não deu nem tempo de ficarmos em duvida entre pegar ou não, uma voz cordial vem do veleiro ao lado.

– Pode pegar essa poita ai!!

Era o Luís, do veleiro Allegro, este tipo de coisa pode parecer banal, mas ouvir aquelas palavras foram motivo de comemoração a bordo. Em instantes o Luís veio até nós com seu bote nos ajudar na atracação e nos contar um pouco sobre aquele recém chegado porto.

Como já disse o Cabinho, uma das poucas vantagens de se chegar à noite é o privilegio de se surpreender com a paisagem na manhã seguinte. Ao despertarmos pudemos contemplar aquele belo cenário no qual ficaríamos atracados por duas semanas. Um canal de mar largo cercado por sucessivas montanhas verdes que combinadas com a luz do entardecer nos dá a sensação de estar dentro de uma pintura.

A estada em Ilhabela foi pura mordomia, por todas as partes, São Pedro nos agraciou com vários dias ensolarados, enquanto Srta. Lui nos hospedou em sua casa com direito a pão fresquinho e outros mimos, e ainda teve o Festival de Verão que nos ofereceu shows do Nando Reis e do Rappa com entrada franca.

Nós gastamos algumas horas somente motoreando nosso botinho entre os veleiros, aprendendo a identificar os barcos por modelo ou característica. Delta, Brasília, Fast, Benneteau começam a entrar no nosso vocabulário cotidiano, bem como referências às cruzetas, retrancas e a nossa obsessão naquele momento: os biminis (toldo para barcos). Foi um momento de descoberta fantástico pra nós, já que a diversidade de barcos que ali se apresentava era muito maior do que a que estávamos acostumados em Florianópolis

Nossa anfitriã na ilha, Luisa, é uma orgulhosa hoje moradora que desde criança passa férias e já há alguns anos lá reside, juntamente com o fanfarrão Jiló, um cão boxer e a Marrona uma vira lata dengosa. A Lu conhece a ilha de cabo a rabo e nos levou pra todo canto pra aproveitar as belezas locais, assim pudemos passear bastante, conhecer as praias do sul e do norte, nos refrescar em diversas cachoeiras, provar boa comida e sermos devorados pelos borrachudos (está incluso no pacote).

A bordo do nosso então vizinho de poita vive a Família Allegro, Fernanda, o pequeno Igor, o Gustavo além do já mencionado Luís, na companhia deles fomos conhecer e surfar em Maresias, e depois viríamos a navegar juntos até a Ilha Anchieta.

Após 15 dias de vida boa era hora de partir para o mar uma vez mais, deixar Ilhabela foi difícil, mas estávamos ansiosos pelo que nos aguardava a nossa proa, já tínhamos ouvido diversos relatos exaltando as maravilhas de nosso próximo destino, Ilha Grande…”

   Diário de Bordo Unforgettable,  17 de Dezembro de 2015.

De Ilhabela seguimos viagem até Ubatuba na companhia da nossa primeira tripulante até agora, a Lu, que aproveitou para dar uma navegada conosco até esse destino. Em Ubatuba curtimos rapidamente a cidade e já seguimos rumo à Ilha Grande, sem deixar de parar na Ilha Anchieta e na Ilha das Couves. Dois lugares incríveis, de águas muito claras e quase sem habitantes. Essas duas ilhas nos surpreenderam pela beleza natural.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s