Ilha Grande, nossa não tão breve estada

“Sob um vento leste confortável entramos velejando de través na Baía de Ilha Grande. Nosso primeiro Eldorado era alcançado, com tranquilidade e elegância.”

 Diário de Bordo Unforgettable,  19 de Dezembro de 2015.

Finalmente chegamos ao estado do Rio de Janeiro, nossa primeira meta foi alcançada. Já nos sentíamos muito mais em casa no Unforgettable, mais acostumados com a vida a bordo. Aprendemos muito até aqui e com certeza ainda teríamos muito mais a aprender.

Chegamos na Ilha Grande e fomos direto para a enseada do Abraão encontrar com um amigo que partira alguns meses antes de Floripa, a bordo de outro veleiro e agora estava vivendo na Ilha. Já estávamos maravilhados nos nossos primeiros dias nesse lugar e nem fazíamos ideia de que o Abraão não era a parte mais linda nessa Ilha. Passamos o Natal junto com alguns amigos a bordo e nos dias seguintes  fomos explorar as outras enseadas.

Passamos alguns dias no Sitio Forte onde depois viríamos a passar semanas ancorados no mesmo lugar, sem fazer nada, só tomando banho de mar, mergulhando, lendo, e relaxando, e é claro fazendo algumas pequenas grandes manutenções no Unforgettable, porque esse já nos mostrou que não podemos subestimar nenhuma tarefa, as vezes colocar um pequeno parafusinho pode levar horas. Conhecemos a Enseada do Saco do Céu, realmente nunca tínhamos ancorados em um lugar de água tão parada. No meio da noite chegamos a acordar pensando estar encalhados de tão imóvel que estava o Unfo. De lá fomos para Enseada de Palmas na praia do Pouso, onde presenciamos uma das mais lindas luas cheias, enorme, na escuridão, ficamos maravilhados, não conseguíamos esconder nossa felicidade por ter a oportunidade de viver esses momentos.  No dia seguinte conhecemos Lopes Mendes, de tirar o fôlego! A praia é linda demais, selvagem, praticamente sem habitantes, a água em tons de azul e verde que poucas vezes havíamos visto antes, mesmo sendo uma praia de mar aberto a água é muito quente e a areia branquinha, um pedacinho de paraíso que voltaríamos muita vezes ainda.

Já era chegado o Reveillon e passamos na Enseada do Sitio Forte junto com muitos outros veleiros  ancorados ao redor. Encontramos alguns bons amigos que fizéramos nesses dias e celebramos a virada assistindo a queima de fogos de Angra do Reis do outro lado da baía a bordo do veleiro Beleza Pura e sua tripulação.

Depois do Réveillon navegamos para Paraty, onde ficamos por um mês, e depois  alguns meses mais. Fizemos grande amizades por lá, um casal incrível de velejadores experientes, com seu veleiro impecável onde tomamos muitos mates e discutimos sobre navegação, sempre saíamos de lá com mais ensinamentos e dicas de navegação e vida a bordo, além de alguns galões de água para abastecer o Unforgettable. Nessas visitas conhecemos também outro casal, esses inciantes no mundo da vela, sempre muito divertidos, impossível não dar boas risadas com esse pessoal. Entre muitas outras pessoas queridas também conhecemos um jovem marinheiro, jovem de idade, mas com experiência e coragem de um grande navegador. Entusiasta da vela virou inspiração para nós, mais tarde ainda navegaríamos juntos.

Nesse tempo também fizemos  vários  upgrades no Unfo. Paraty é o lugar com mais cultura náutica que passamos até agora. Lá as idas ao brechó náutico e a Paraty náutica eram quase diárias. E nisso aproveitávamos para nos perder nas ruazinhas históricas da cidade, um encanto.

No carnaval voltamos para Ilha Grande, fizemos a volta na Ilha passando por lugares lindíssimos: Saco dois Rios (até rolou um surf de SUP para nossa alegria), Parnaióca, Aventureiro e Meros. É muita beleza para uma ilha só. Mas, como todo carnaval tem seu fim nossa quarta-feira de cinzas foi de ressaca. Ressaca do tempo que trouxe uma forte chuva e vento que nos fez correr em busca de abrigo. Não adiantou muito, passamos a noite acordados de vigia pois o Unforgettable balançava demais, tudo virava de uma lado para o outro, uma barulheira, passado o mau tempo, apagamos de cansados.

Entre Ilha Grande e Paraty ficamos cerca de uns 6 meses, aguardando o inverno para subir para a Bahia com as frente de vento sul. Essa é a época do ano que a maioria dos velejadores fazem esse trajeto, pois, no verão, os ventos nordeste predominantes dificultam um pouco a navegada nesse sentido. Nesse meio tempo recebemos a visita de diversos amigos, o que foi muito legal para nós, adoramos receber o pessoal a bordo e matar as saudades.

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