Soltando as amarras – De Florianópolis a Cananéia

Estávamos a meses na expectativa da partida, havíamos adiado a soltura das amarras por muitas vezes, mas agora já vivíamos no barco a 5 dias, nosso apartamento já não mais nos pertencia. Para nossa partida porém, ainda precisávamos que uma nova antena para o radio VHF fosse instalada ao topo do mastro. Os últimos dois meses haviam sido de imensa chuva, fato que colaborou muito com a demora de nossa partida, então finalmente naquela manhã a chuva deu uma trégua e nosso amigo Guedes pode vir nos ajudar com a missão da antena.

Não foi sem luta que Santo Antonio de Lisboa, nosso porto pelos últimos dois anos , nos deixou partir, um procedimento simples como colocar a antena nos custou algumas horas. O Unforgettable reuniu condições de zarpar por volta das 15h da tarde e a chuva forte voltou.

Nada mais importava, a adrenalina transbordava nossos corpos e teríamos que zarpar nem que fosse para ancorar uma milha adiante, fomos além e navegamos 8 milhas em meio a neblina tocados por uma frente de sul que parecia disposta a testar nossa fibra.
Um passo adiante e você já não está mais no mesmo lugar, agora fazíamos parte do grupo dos cruzeiristas, velejadores dispostos a experimentar o melhor (e o pior) da experiência que um barco a vela pode proporcionar.

“Tinha de ser hoje, a ansiedade para zarpar já estava demais, o mau tempo e a instalação de uma antena seguravam a tripulação do Unforgettable na ilha de Santa Catarina. Mas finalmente às 15:45 zarpamos sob uma forte neblina e chuvisqueiro. Por volta das 17hrs ancoramos na Ponta do Magalhães, apenas 7,9 milhas (13km)  de nosso ponto de partida. O importante era partir, o primeiro passo foi dado, além disso, não poderíamos iniciar nossa jornada em uma Sexta-Feira.”

Diário de Bordo Unforgettable, 05 de Novembro, 2015.

Para aqueles que nunca ouviram falar, existe uma superstição, bem conhecida entre os navegadores, de que não se deve inciar viagem em uma Sexta-Feira,  na dúvida, melhor não discordar, hehe!  E assim partimos. Deixar a Ilha de Santa Catarina pra trás rumo a uma viagem sem destino ou data de regresso, foi emocionante, libertador e gratificante. Foram meses de trabalho duro para que o Unforgettable pudesse se tornar nossa casa. Amigos, família e lazeres foram por vezes relegados, novas aptidões desenvolvidas, e o propósito testado inúmeras vezes no processo da reforma. Deixávamos para trás casa, carro e empregos formais, nada disso faria mais parte do nosso dia a dia por um bom tempo.

No dia seguinte continuamos a viagem até Porto Belo e depois São Francisco do Sul. Em SFS apoitamos em frente ao Museu do Mar onde tivemos a felicidade de encontrar a Marina, uma querida anfitriã que nos levou conhecer um pouco das praias de São Chico e um casal muito gentil, pais e sogros de outro casal de navegadores, que futuramente viríamos a conhecer e que hoje são nossos grande amigos.

Depois de uma semana, partimos para a Ilha do Mel, com vento sul fraco. A navegada foi tranquila, mar calmo e vento suave. Aproveitamos para calibrar o piloto automático carinhosamente apelidado de “Jarbas”. Naquele momento não fazíamos ideia do quanto ele seria útil!!! Jarbas, você já é da família!  Curtimos alguns dias ótimos na Ilha do Mel, ancorados em Nova Brasília, deu até para relembrar as idas anteriores na época de colégio, que farra!

Da Ilha do Mel seguimos para Paranaguá – PR, como o vento estava fraco fomos motorando pela baía. Em Paranaguá conhecemos o Emerson, um sujeito daqueles mais gente boa impossível. Passamos a noite a contra bordo da sua escuna, e aproveitamos para pegar todas as dicas com ele para fazermos a navegada até o litoral sul de SP pelo Canal do Varadouro.

“Já se passaram alguns dias desde a última página escrita nesse diário. Entre navegadas e fainas a bordo os dias passam voando. O Unforgettable está atracado no flutuante do Centro Náutico em Cananéia. Navegamos até aqui pelo Canal do Varadouro, uma cênica motorada entre a serra e o mar. Seguimos na maré cheia até a Ilha dos Pinheiros, muita emoção ao navegar entre os golfinhos e atobás, e  a cada tanto, uma pequena vila de pescadores que nos distraía.

Na Ilha dos Pinheiros conhecemos o seu Constantino, ele e sua esposa os únicos moradores da ilha, ele um senhor de 88 anos gozando de plena saúde e cheio de histórias para contar. Passamos o dia ancorados aproveitando ao máximo esse lugar longe de tudo e de extrema beleza.

No dia seguinte partimos para atravessar o canal propriamente dito, um trecho muito sinuoso e estreito. Qualquer metro fora do canal poderia significar um encalhe. Tudo transcorreu bem, em uma linda manhã de sol, só as mutucas que deixaram suas marcas e estas ainda coçam. Entre cidades fantasmas, tempestades elétricas e enxames de mutucas chegamos ao nosso destino, a comunidade do Marujá, na Ilha do Cardoso. No dia seguinte completamos o trecho até Cananéia. “

Diário de Bordo Unforgettable, 21 de Novembro de 2015.

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2 comentários em “Soltando as amarras – De Florianópolis a Cananéia

  1. Bons ventos ao Unforgettable e sua tripulação! O que vocês estão fazendo é para nós um sonho…. Embarcaremos com vocês nesta viagem…
    Geórgia e Diego, desejamos muito sucesso e sorte (que não faz mal a ninguém rsrs).

    Kenya, Richard e tripulação (SORELLE)

    Curtido por 1 pessoa

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